domingo, 17 de março de 2013

Foi quase...

Apaguei o blog mas escrever aqui já virou vício.

No dia 09/03 tomei 50 comprimidos (Sertralina 25mg) ás 10:30 da manhã com um único objetivo, morrer. Por volta das 12:45 começei a sentir-me mal, com dores de cabeça, dores de estômago, tonturas, tremores, batimentos cardíacos muito acelarados, ouvia e via coisas estranhas. Começei a vomitar, mas o que vomitava era ácido e tinha o sabor dos comprimidos.
Ás 13:30 (mais ou menos a essa hora) a minha irmã ligou para casa para falar com a minha mãe... Eu tinha escrito aqui no blog que tinha tomado esses comprimidos todos, a minha irmã soube e ligou logo para a minha mãe. Houve tanta discussão cá em minha casa... O meu pai culpava a minha mãe, a minha mãe culpava o meu pai, depois queriam-me levar para o hospital... Foi mesmo muito mau.
Passei a tarde toda mal. Tentava obrigar-me a comer fruta mas nem isso conseguia. Não jantei e ás 20h comi um pedaço muito pequeno de banana e quando fui á casa de banho deu-me vómitos e vomitei a banana e o ácido do estômago. Enquanto vomitava sentia que ia desmaiar e disse para a minha mãe: "Mãe, eu vou morrer.". Ela começou a ficar aflita porque eu não paráva de vomitar, parecia que me ia sair o estômago pela boca. Inclinei-me para cima e parei. Deitei-me no sofá e fechei os olhos. Estava cansada, cheia de dores e muito tonta.
O meu pai não estava em casa e a minha mãe ligou para ele para lhe dizer que iamos ao hospital porque tinha medo que em morresse durante a noite. Quando o meu pai chegou a casa foi ter comigo e gritou: "Ainda queres mais comprimidos? Vê lá, se quizeres eu dou-te mais.". A minha mãe começou a chorar e disse-me: "A culpa disto é toda tua!". Naquela altura estava tão a leste que o que eles me diziam não me fazia deitar nem uma lágrima.
Cheguei ao hospital e a enfermeira perguntou-me o que tinha. A minha mãe disse que eu tinha tomado 50 comprimidos e a enfermeira perguntou-me: "Para quê?", como se não fosse óbvio -.-
Respondi-lhe mal. Fui posta a soro para tentarem tirar maior parte do medicamento do sangue. Ligaram-me áquela máquina do coração e passei a noite no hospital. Fui vigiada a toda a hora por médicos e enfermeiros. Continuava a vomitar sem ter nada no estômago e tiveram-me de pôr no soro um medicamento para me parar os vómitos. Não vomitei mais mas não conseguia comer. Dormi muito pouco, talvez umas 4horas. No dia seguinte disseram-me que eu ia ser levada para Lisboa, porque os médicos que me tinham internado em 2012 queriam-me ver. Fui para Lisboa de ambulância e falei com o psiquiatra que lá estava. Era simpático, muito mesmo. Eu disse logo que não queria ser internada e ele perguntou-se "E vais voltar a fazer o que fizes-te?", disse que não e que não era preciso ser internada, ele só disse que ia confiar em mim (foi fácil de convencer).
Durante esta semana o meu pai tem-me falado muito mal. Tenho andado mesmo muito triste, com uma vontade enorme de morrer.

Sinto uma coisa tão forte dentro de mim que me faz desistir de tudo. Tento falar com pessoas porque dizem que é melhor e tal, mas elas desvalorizam sempre o que sinto e falam de outras pessoas. Ninguém se lembra do meu passado, ninguém se lembra de como eu fico frustrada por ser assim. Acham que é fácil ser uma pessoa pessimista que chora por qualquer coisa e que não acredita que a vida faça sentido? Não é mesmo nada fácil. Depende de mim para mudar isso mas eu não tenho força para mudar, não tenho coragem. Só de pensar que as pessoas gostavam era da velha Catarina, aquela que ria, que era divertida, brincalhona, extrovertida e que "não tinha" problemas e que se afastaram de mim porque não gostam da minha maneira de ser e me tornei numa pessoa muito mais triste, custa-me. Choro muito todos os dias. Sinto que não tenho vida.
Isto tudo seria mais fácil se certas pessoas estivessem ao meu lado... D'':
*chorar*

1 comentário:

  1. Eu e outra pessoa falamos com a tua irmã no fb, mas foi a ines que a avisou pelo telefone.

    Venho aqui dizer-te que nunca mais a contactarei, porque acabas de dizer que queres verdadeiramente morrer.

    Tens tudo à tua volta para saires de onde estás..mas tens de ser honesta contigo própria e assumires o que queres.

    Já tive 13 anos, tenho uma irmã com 13 anos. Sei que não és um bebé..e é altura que começares a perceber que todas as tuas decisões têm impacto REAL na tua família.

    Tens todo a direito a sofrer, tens todo o direito a nao querer existir, mas tens de entender que tudo o que fazes tem consequências...e se não queres as consequencias, tens de alterar o que fazes.

    Boa sorte, miuda!

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